Um filme por dia 2017 - 07/07 - A História Da Eternidade (2014)



Título original: A História Da Eternidade
A História Da Eternidade se passa em um pequeno povoado cercado pelo deserto em uma época indeterminada, mostrando dramas e conflitos humanos universais.
Tudo parece ter sido planejado com muito cuidado em A História Da Eternidade, desde os seus planos e raccords que foram pensados e executados de forma a causar impacto emocional ou estético até a sua direção de arte, usada para revelar características da personalidade dos personagens sem perder tempo com diálogos expositivos. A belíssima fotografia realça tudo isso, como na cena em que Querência (Marcélia Cartaxo), após enterrar o filho natimorto, chora sozinha contra uma parede cinza e irregular ou nos vários planos mostrando a natureza que cerca o lugar, sempre inabalável frente às desgraças humanas. Dentro desse microcosmo da pequena vila vemos a representação das tragédias que afligem as pessoas em qualquer lugar: a morte, o crime, o amor não correspondido, o conflito de gerações, o desejo proibido, o arrependimento pelo feito e pelo não feito, os sonhos e decepções, tudo culminando no drama ancestral do irmão matando o irmão.
Todas as interpretações são excepcionalmente convincentes, com destaque para Cláudio Jaborandy (Nataniel), que apenas com gestos e olhares transmite a dureza do seu personagem mostrando que ele não é bom nem mau, é o ser humano possível naquele ambiente e naquelas condições.
A História Da Eternidade é um daqueles filmes singulares, onde a poesia das imagens e a música embalam a estória de forma a suavizá-la com a beleza ao mesmo tempo que intensificam todas as emoções. Embora toda pessoa se considere única e especial, seus conflitos e tragédias já foram e ainda serão experimentados de forma muito parecida - ou idêntica - por um sem número de outras pessoas, passado e futuro. Todo o drama vivido no povoado é visto pela natureza ao redor de forma tediosa, como uma peça de teatro repetida incontáveis vezes e que continuará se repetindo até o fim dos tempos. Quando o fim chegar e a humanidade sair de cena a natureza continuará lá, impassível e sem aplausos.
Nota: 5/5


Fabio Consiglio

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